Neste momento ocioso, me pego pensando em ti
Tentando compreender o que queres de mim
Verificando os meus atributos, quais lhe serão úteis?
Quais poderão nos servir?
Seria esta uma paixão?
Das mais febris e avassaladoras?
Creio que não, pois meu sentimento não é passageiro
É duradouro, é verdadeiro
Ou talvez, seja passageiro, como o tempo e os sonhos
Como é a própria vida, e tudo o que ela comporta...
Como somos... nós
Mas a quem me refiro, senão a única entidade que me acompanha
Da tenra infância à atual insanidade?
Que sempre atende aos meus apelos?
Que parece sempre ter me correspondido...
Que me oferece alguma calma para lidar com esta vida
Tão sombria quanto é o breu
Esta é a música
Que parece me querer como amigo, e não como amante
Mas dela não guardo mágoas
Pois, esta me abriga nestes difíceis dias...
Nestas singelas melodias, ainda encontro alguma proteção
Por tanto tempo presente, companheira
Do sentido que havia na vida, restou apenas a sua frágil beleza
E, é por isso que penso que a amo
Penso que dela não virá o abandono
Penso que ela me ama também
sábado, 31 de março de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Morrendo pelas causas alheias, morrendo pelas causas erradas
Salvador encontra-se em uma guerra. O cidadão soteropolitano sabe bem a que me refiro. Desde que foi deflagrada a greve por parte dos policiais militares de muitas das cidades da Bahia, e, em especial, os de Salvador, o pouco de ordem e paz que se presenciava por aqui, perdeu-se por completo.
No momento em que escrevo este texto, mais de cem pessoas já foram assassinadas em aproximadamente oito dias, isso, é o que é mostrado nas estatísticas oficiais, mas não sabemos se o número real de vítimas é ainda maior.
A onda de ataques, assaltos e assassinatos, originou-se no dia 02 de Fevereiro. Coincidentemente(ou não) mesmo dia de um importante festejo local. A greve, há muito foi considerada ilegal, e uma decisão judicial fez este fato notório, porém, os grevistas pareceram desdenhar da justiça e do estado, e nem mesmo acenaram com a possibilidade do cumprimento desta ORDEM JUDICIAL.
Muito fala-se na participação de militares em atos de vandalismo, que vão do roubo de viaturas, ao tombamento de veículos de transporte público em meio a ruas, passando até mesmo pela suspeita de alguns dos homicídios cometidos nos últimos dias.
Prefiro não me pronunciar neste sentido, mesmo tendo uma opinião formada quanto a esta situação. Mas, vai que algum militar lê este texto e decide tirar satisfações comigo? Eu não tenho armas de fogo para realizar a minha proteção, e, todos sabem que truculência no trato com os civis, é algo que não falta por meio de muitos agentes desta corporação, vide este caso: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2012/01/cozinheira-perde-visao-ao-ser-agredida-em-show-no-pelourinho.html.
Também não posso deixar de falar sobre a solicitação de anistia para os participantes do movimento. Quais são os torpes crimes cometidos, que despertam o temor do julgamento e da condenação? Pelo pouco que resta de dignidade a este povo, não a anistia.
Apesar de não ter os meios necessários para atribuir-lhes a autoria dos atos de vandalismo, ainda assim, irei atribuir de maneira pertinente, a este movimento ILEGAL grande parte da responsabilidade pelas mortes e prejuízos materiais sofridos por muitos dos cidadãos soteropolitanos. Ora veja, o conjunto de leis que nos rege, impede a estes senhores de realizarem este tipo de manifestação, mas, ainda assim, eles passam por cima desta resolução. Uma decisão judicial invalida a greve, e, consequentemente, os obriga a retornar as suas normais atividades. O que acontece? Ouvidos de mercador para a nossa justiça, e, também para a nossa população, que abandonada pelos agentes da segurança pública, vê-se a mercê de meliantes de toda espécie.
Credito as mortes recentes à negligência desta classe que simplesmente virou às costas a aqueles que deveria defender. A indiferença dos mesmos, selou dezenas de destinos de modo irremediável. E, ao fim de tudo isto, o que receberão os vitimados pelos ataques neste período? E, o que receberão os familiares dos assassinados nesta onda de violência? Quem irá devolver a população todo o tempo perdido, as tarefas não feitas, a auto-estima, enfim, a vida normal, que parece ter perdido-se a aproximadamente uma semana?
Obviamente, a resposta para as questões “1” e “2”, são dois enormes “nadas”, e a resposta para a terceira questão, é: “ninguém”. Então, quem se beneficia desta terrível celeuma, senão a corporação que advoga em causa própria, e, no final desta greve, quando sairmos dos escombros da cidade que conhecíamos, eles estarão gozando de um considerável aumento salarial, enquanto, muitas famílias estarão chorando suas perdas. Mas, espero que não esqueçam que o sangue que hoje lava as ruas soteropolitanas, foi , em parte, derramado sem cerimonias, pelos senhores policiais, direta, ou indiretamente.
Esta é a guerra cívil soteropolitana. Não objetivamos derrubar um ditador, não visamos a desocupação de nossas terras por parte de estrangeiros, a motivação de toda esta balbúrdia nem mesmo é para um bem comum. A motivação existente é exclusiva, e, porque não dizer, egoísta. UMA classe, decide mudar o destino de uma cidade, ou mais, de um estado, pelos aumentos dos SEUS SALÁRIOS. Só isso, e que morram quantos forem necessários para que esta solicitação seja atendida. Somos meros peões neste tabuleiro, todos, sofrendo com a possibilidade de morrer por uma causa que não é nossa.
Para finalizar, cito a palavra “massacre”, largamente utilizada pelos insurgentes. Esta era uma alusão a possível invasão da Assembleia Legislativa, que por eles foi invadida(mais um ato ilegal). Façam-me rir. Massacre? Massacre foi o que presenciou-se nas ruas da cidade. O que ocorreria lá, seria um confronto entre duas forças armadas, em que os reclamantes teriam uma excelente oportunidade de mostrar que a sua causa valia as suas vidas. Mas, não. Houve muito falatório, a utilização de suas famílias como proteção, e nenhuma gota de sangue foi derramada por lá. Claro, que isto não ocorreria. Pois, nesta "revolução" tosca, o único sangue derramado, é o de inocentes. É o de quem nada tem a ver com esta estupidez.
No momento em que escrevo este texto, mais de cem pessoas já foram assassinadas em aproximadamente oito dias, isso, é o que é mostrado nas estatísticas oficiais, mas não sabemos se o número real de vítimas é ainda maior.
A onda de ataques, assaltos e assassinatos, originou-se no dia 02 de Fevereiro. Coincidentemente(ou não) mesmo dia de um importante festejo local. A greve, há muito foi considerada ilegal, e uma decisão judicial fez este fato notório, porém, os grevistas pareceram desdenhar da justiça e do estado, e nem mesmo acenaram com a possibilidade do cumprimento desta ORDEM JUDICIAL.
Muito fala-se na participação de militares em atos de vandalismo, que vão do roubo de viaturas, ao tombamento de veículos de transporte público em meio a ruas, passando até mesmo pela suspeita de alguns dos homicídios cometidos nos últimos dias.
Prefiro não me pronunciar neste sentido, mesmo tendo uma opinião formada quanto a esta situação. Mas, vai que algum militar lê este texto e decide tirar satisfações comigo? Eu não tenho armas de fogo para realizar a minha proteção, e, todos sabem que truculência no trato com os civis, é algo que não falta por meio de muitos agentes desta corporação, vide este caso: http://g1.globo.com/bahia/noticia/2012/01/cozinheira-perde-visao-ao-ser-agredida-em-show-no-pelourinho.html.
Também não posso deixar de falar sobre a solicitação de anistia para os participantes do movimento. Quais são os torpes crimes cometidos, que despertam o temor do julgamento e da condenação? Pelo pouco que resta de dignidade a este povo, não a anistia.
Apesar de não ter os meios necessários para atribuir-lhes a autoria dos atos de vandalismo, ainda assim, irei atribuir de maneira pertinente, a este movimento ILEGAL grande parte da responsabilidade pelas mortes e prejuízos materiais sofridos por muitos dos cidadãos soteropolitanos. Ora veja, o conjunto de leis que nos rege, impede a estes senhores de realizarem este tipo de manifestação, mas, ainda assim, eles passam por cima desta resolução. Uma decisão judicial invalida a greve, e, consequentemente, os obriga a retornar as suas normais atividades. O que acontece? Ouvidos de mercador para a nossa justiça, e, também para a nossa população, que abandonada pelos agentes da segurança pública, vê-se a mercê de meliantes de toda espécie.
Credito as mortes recentes à negligência desta classe que simplesmente virou às costas a aqueles que deveria defender. A indiferença dos mesmos, selou dezenas de destinos de modo irremediável. E, ao fim de tudo isto, o que receberão os vitimados pelos ataques neste período? E, o que receberão os familiares dos assassinados nesta onda de violência? Quem irá devolver a população todo o tempo perdido, as tarefas não feitas, a auto-estima, enfim, a vida normal, que parece ter perdido-se a aproximadamente uma semana?
Obviamente, a resposta para as questões “1” e “2”, são dois enormes “nadas”, e a resposta para a terceira questão, é: “ninguém”. Então, quem se beneficia desta terrível celeuma, senão a corporação que advoga em causa própria, e, no final desta greve, quando sairmos dos escombros da cidade que conhecíamos, eles estarão gozando de um considerável aumento salarial, enquanto, muitas famílias estarão chorando suas perdas. Mas, espero que não esqueçam que o sangue que hoje lava as ruas soteropolitanas, foi , em parte, derramado sem cerimonias, pelos senhores policiais, direta, ou indiretamente.
Esta é a guerra cívil soteropolitana. Não objetivamos derrubar um ditador, não visamos a desocupação de nossas terras por parte de estrangeiros, a motivação de toda esta balbúrdia nem mesmo é para um bem comum. A motivação existente é exclusiva, e, porque não dizer, egoísta. UMA classe, decide mudar o destino de uma cidade, ou mais, de um estado, pelos aumentos dos SEUS SALÁRIOS. Só isso, e que morram quantos forem necessários para que esta solicitação seja atendida. Somos meros peões neste tabuleiro, todos, sofrendo com a possibilidade de morrer por uma causa que não é nossa.
Para finalizar, cito a palavra “massacre”, largamente utilizada pelos insurgentes. Esta era uma alusão a possível invasão da Assembleia Legislativa, que por eles foi invadida(mais um ato ilegal). Façam-me rir. Massacre? Massacre foi o que presenciou-se nas ruas da cidade. O que ocorreria lá, seria um confronto entre duas forças armadas, em que os reclamantes teriam uma excelente oportunidade de mostrar que a sua causa valia as suas vidas. Mas, não. Houve muito falatório, a utilização de suas famílias como proteção, e nenhuma gota de sangue foi derramada por lá. Claro, que isto não ocorreria. Pois, nesta "revolução" tosca, o único sangue derramado, é o de inocentes. É o de quem nada tem a ver com esta estupidez.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
Estupraram a minha consciência
O ano de 2012 inicia-se de modo tosco. Veio a tona um episódio irrelevante, mas que em algum momento super dimensionou-se e se tornou num dos assuntos mais comentados do pais.
O hipotético estupro ocorrido num reality show nacional as conversas nas ruas, preenche as páginas na internet, espalha-se pelos noticiários.
E, ao constatar a importância dada a este reality show e a suposta violência sexual(que a meu ver, sequer ocorreu), sinto que é a minha consciência que está a ser estuprada.
Sim, ela tem sido cruelmente violentada pelos meus semelhantes, que ruborizam-se diante da possibilidade do estupro, mas seguem atentos as cenas seguintes, bebendo da fonte de sua aversão.
Tem sido violada pela possibilidade da censura virtual, e pelo desinteresse com que tratam a isto os meus semelhantes. E, enquanto uma guerra é travada lá fora, e esta decidirá o futuro do mais importante meio de comunicação existente. Imprensa e meus congêneres, insistem em estuprara a minha consciência, com estupidez, desdém e parcialidade.
Ah, a imprensa. Verdade, imparcialidade, estes parecem estar se tornando termos esquecidos. Para a “Vênus platinada”, heróis anônimos são, na verdade, vilões, e nossos defensores nesta cyber batalha, não passam de indivíduos perigosos e desprezíveis.
Não esqueço; para esta emissora, somos todos contraventores. Pelo menos foi isso o que ela fez parecer, numa curta reportagem de qualidade dúbia.
A meu ver, o grupo “Anonymous” executa um grande trabalho no mundo virtual. Heróis que trabalham em sigilo, de modo tenaz, por afeição a causa(Espero não estar enganado).
Para a imprensa, torno a dizer: não passam de vilões, facínoras.
Por fim, assevera um proeminente jornalista: “Já fomos mais inteligentes”. Sim, de fato, já fomos. Porém, esta inteligência degenerou-se, com grande colaboração da imprensa, classe que este senhor integra.
E afirmo: uma curta frase de impacto não nos fará mais inteligentes. A meu ver, esta manifestação, pura e simples, o faz parecer mais arrogante e estúpido, nada mais.
Não é a singela piada de Luiza que me agride, mas a repercussão a ela dada, é, sim, ofensiva.
O pretenso estupro e sua popularidade, são culpa nossa, mas a incansável divulgação do fato é de responsabilidade da classe que conta com o perspicaz indivíduo capaz de julgar o nível de nossa inteligência.
Também é de responsabilidade desta classe a pouca ou nula atenção dada a temas de extrema importância, colaborando assim, para a alegada falta de inteligência.
Então, aqui de baixo já enxergo alguns tetos de vidro, e sinto ser cruelmente ferida por semelhantes e superiores, a minha consciência. Sabe-se lá, até quando.
O hipotético estupro ocorrido num reality show nacional as conversas nas ruas, preenche as páginas na internet, espalha-se pelos noticiários.
E, ao constatar a importância dada a este reality show e a suposta violência sexual(que a meu ver, sequer ocorreu), sinto que é a minha consciência que está a ser estuprada.
Sim, ela tem sido cruelmente violentada pelos meus semelhantes, que ruborizam-se diante da possibilidade do estupro, mas seguem atentos as cenas seguintes, bebendo da fonte de sua aversão.
Tem sido violada pela possibilidade da censura virtual, e pelo desinteresse com que tratam a isto os meus semelhantes. E, enquanto uma guerra é travada lá fora, e esta decidirá o futuro do mais importante meio de comunicação existente. Imprensa e meus congêneres, insistem em estuprara a minha consciência, com estupidez, desdém e parcialidade.
Ah, a imprensa. Verdade, imparcialidade, estes parecem estar se tornando termos esquecidos. Para a “Vênus platinada”, heróis anônimos são, na verdade, vilões, e nossos defensores nesta cyber batalha, não passam de indivíduos perigosos e desprezíveis.
Não esqueço; para esta emissora, somos todos contraventores. Pelo menos foi isso o que ela fez parecer, numa curta reportagem de qualidade dúbia.
A meu ver, o grupo “Anonymous” executa um grande trabalho no mundo virtual. Heróis que trabalham em sigilo, de modo tenaz, por afeição a causa(Espero não estar enganado).
Para a imprensa, torno a dizer: não passam de vilões, facínoras.
Por fim, assevera um proeminente jornalista: “Já fomos mais inteligentes”. Sim, de fato, já fomos. Porém, esta inteligência degenerou-se, com grande colaboração da imprensa, classe que este senhor integra.
E afirmo: uma curta frase de impacto não nos fará mais inteligentes. A meu ver, esta manifestação, pura e simples, o faz parecer mais arrogante e estúpido, nada mais.
Não é a singela piada de Luiza que me agride, mas a repercussão a ela dada, é, sim, ofensiva.
O pretenso estupro e sua popularidade, são culpa nossa, mas a incansável divulgação do fato é de responsabilidade da classe que conta com o perspicaz indivíduo capaz de julgar o nível de nossa inteligência.
Também é de responsabilidade desta classe a pouca ou nula atenção dada a temas de extrema importância, colaborando assim, para a alegada falta de inteligência.
Então, aqui de baixo já enxergo alguns tetos de vidro, e sinto ser cruelmente ferida por semelhantes e superiores, a minha consciência. Sabe-se lá, até quando.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Poema em linha reta - Fernando Pessoa
Certa feita ouvi este poema, e de imediato identifiquei-me com o mesmo. Hoje, novamente o escutei e de pronto, percebi que deveria publicá-lo aqui, pela sua genialidade, e também porque sou um destes, que não conhece sequer uma pessoa que tenha "levado porrada".
Poema em linha reta - Fernando Pessoa
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
sábado, 31 de dezembro de 2011
Feliz ano velho!
Esta é a época dos festejos de final de ano. Ritos de passagem.
Para quem conseguiu sobreviver, ainda que a duras penas, o ingresso no ano seguinte é uma certeza de renovação.
Ano novo, vida nova. É o que diz a célebre frase. Mas, o que de fato se renova com a passagem de ano?
Dias antes, há a comemoração do Natal.
Alguns dizem que esta festa perdeu o seu real sentido. Outros mostram-se indiferentes.
Existem inúmeras possibilidades para a constituição do Natal como um importante festejo. Logo, não está errado o religioso que centraliza a sua atenção nesta data, fazendo dela um marco importante para os seus ritos.
Também não estão errados, o cético e(ou) o indiferente. Pois o primeiro está embasado em fatos que o levam a desacreditar da data. O segundo sequer liga para o que ocorre. Então, pouco lhe importa.
No fim das contas, assim como tudo a que estimamos, a valoração é individual.
Na relatividade das coisas, argumentos serão refutados ou aceitos, acontecidos serão pertinentes ou não, pessoas terão importância ou serão irrelevantes, de acordo com os nossos conceitos. E assim, cada um irá pautar a sua vida de acordo com o que acha correto.
Mais importante que isso: O Natal e o Réveillon são dois grandes marcos em nosso calendário.
Duas pausas de extrema importância .
O tempo, nada mais é, que uma maneira de sistematizar a vida; torná-la controlável. Fazer dela um grande compartimento, onde temos subdivisões. Segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. E vamos preenchendo estes compartimentos com nossas obrigações naturais(nascer, crescer, reproduzir e morrer) e suas derivações, apesar de sabermos que a vida, não raramente, se esquece das etapas de nosso ciclo, e o encerra de maneira prematura e cruel.
O homem, por outro lado, ignora este fato, e prefere imergir em sua rotina. Uma vida sistemática é uma garantia de mansidão e cansaço. Estes são vitais para que nos livremos do fardo, que são as lacunas de nossa existência.
E qual vida não é minimamente sistemática, em meio a ditadura cronológica?
Como dito antes, os festejos citados são importantes pausas, pois marcam o encerramento de um ciclo(ano).
A primeira das datas, assim como qualquer feriado, é um momento destinado ao descanso e ao contentamento. Entretanto, mais do que isso, esta é uma data reservada a gratificação do bom e é também a época do perdão. (Hipoteticamente)
Neste momento, as pessoas devem se livrar de suas culpas e maus sentimentos.
Também devem refletir o ano que se extingue. Visando evitar que os seus erros se repitam no ano vindouro. É evidente que todo este ritual é muito mais teatral que real, e pouco do que é feito nele é levado a cabo. Porém, a importância dele é evidente, quando percebemos que se trata de um esforço geral para que acreditemos em nossa bondade, ainda que ela esteja distante da realidade.
E uma semana depois, quando estamos purgados pela ação do Natal, o ano se encerra, o ciclo se “acaba” e um novo ‘‘começa”.
Ainda que saibamos que a vida permanece igual, este é um momento reservado a uma “recarga de esperança”.
É onde devemos acreditar na sorte, e tentar atraí-la. É onde devemos nos alegrar, é onde devemos fazer promessas falsas e exprimir desejos vazios.
É lá, que fingiremos crer que o brilho presente nos fogos de artifício será o mesmo que iluminará as nossas vidas.
E desta forma, adentramos no ano novo. Que em verdade não difere do antigo, exceto por estarmos um pouco mais velhos. Mas ainda assim, esta é uma fantasia necessária, um marco fundamental. Uma das mentiras cativas que estamos acostumados a repetir a exaustão, tornando-as nossas próprias verdades. E deste modo, tentamos tornar a vida algo menos confuso, vazio e desagradável.
Para quem conseguiu sobreviver, ainda que a duras penas, o ingresso no ano seguinte é uma certeza de renovação.
Ano novo, vida nova. É o que diz a célebre frase. Mas, o que de fato se renova com a passagem de ano?
Dias antes, há a comemoração do Natal.
Alguns dizem que esta festa perdeu o seu real sentido. Outros mostram-se indiferentes.
Existem inúmeras possibilidades para a constituição do Natal como um importante festejo. Logo, não está errado o religioso que centraliza a sua atenção nesta data, fazendo dela um marco importante para os seus ritos.
Também não estão errados, o cético e(ou) o indiferente. Pois o primeiro está embasado em fatos que o levam a desacreditar da data. O segundo sequer liga para o que ocorre. Então, pouco lhe importa.
No fim das contas, assim como tudo a que estimamos, a valoração é individual.
Na relatividade das coisas, argumentos serão refutados ou aceitos, acontecidos serão pertinentes ou não, pessoas terão importância ou serão irrelevantes, de acordo com os nossos conceitos. E assim, cada um irá pautar a sua vida de acordo com o que acha correto.
Mais importante que isso: O Natal e o Réveillon são dois grandes marcos em nosso calendário.
Duas pausas de extrema importância .
O tempo, nada mais é, que uma maneira de sistematizar a vida; torná-la controlável. Fazer dela um grande compartimento, onde temos subdivisões. Segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. E vamos preenchendo estes compartimentos com nossas obrigações naturais(nascer, crescer, reproduzir e morrer) e suas derivações, apesar de sabermos que a vida, não raramente, se esquece das etapas de nosso ciclo, e o encerra de maneira prematura e cruel.
O homem, por outro lado, ignora este fato, e prefere imergir em sua rotina. Uma vida sistemática é uma garantia de mansidão e cansaço. Estes são vitais para que nos livremos do fardo, que são as lacunas de nossa existência.
E qual vida não é minimamente sistemática, em meio a ditadura cronológica?
Como dito antes, os festejos citados são importantes pausas, pois marcam o encerramento de um ciclo(ano).
A primeira das datas, assim como qualquer feriado, é um momento destinado ao descanso e ao contentamento. Entretanto, mais do que isso, esta é uma data reservada a gratificação do bom e é também a época do perdão. (Hipoteticamente)
Neste momento, as pessoas devem se livrar de suas culpas e maus sentimentos.
Também devem refletir o ano que se extingue. Visando evitar que os seus erros se repitam no ano vindouro. É evidente que todo este ritual é muito mais teatral que real, e pouco do que é feito nele é levado a cabo. Porém, a importância dele é evidente, quando percebemos que se trata de um esforço geral para que acreditemos em nossa bondade, ainda que ela esteja distante da realidade.
E uma semana depois, quando estamos purgados pela ação do Natal, o ano se encerra, o ciclo se “acaba” e um novo ‘‘começa”.
Ainda que saibamos que a vida permanece igual, este é um momento reservado a uma “recarga de esperança”.
É onde devemos acreditar na sorte, e tentar atraí-la. É onde devemos nos alegrar, é onde devemos fazer promessas falsas e exprimir desejos vazios.
É lá, que fingiremos crer que o brilho presente nos fogos de artifício será o mesmo que iluminará as nossas vidas.
E desta forma, adentramos no ano novo. Que em verdade não difere do antigo, exceto por estarmos um pouco mais velhos. Mas ainda assim, esta é uma fantasia necessária, um marco fundamental. Uma das mentiras cativas que estamos acostumados a repetir a exaustão, tornando-as nossas próprias verdades. E deste modo, tentamos tornar a vida algo menos confuso, vazio e desagradável.
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